sábado, 21 de maio de 2011

Todos somos responsáveis pelo Anúncio da Boa Nova de Jesus

Cada pessoa humana recebe o dom da existência sem mérito próprio e sem ter pedido esse dom. Uma vez vindo ao mundo somos colocados num caminho a percorrer, buscando nossa realização ou felicidade pessoal. Isto, porém, é uma conquista. Requer ideal buscado, meios adequados empregados, força de vontade e perseverança no encalço desse objetivo.

Muitos empecilhos acontecem. Contorná-los requer constância, ajuda de outros e conhecimento conquistado a respeito de como fazer para a consecução desse intento. Sem busca de valores estimulantes da caminhada, ficamos dando voltas em nossos próprios limites. Somos estimulados a buscar somente os agrados e prazeres momentâneos e fugazes, sem conquistarmos nossa realização pessoal.


O ser humano desde sua origem se ensimesmou exageradamente. Foi preciso a intervenção de Deus mais uma vez em nossa história para nos ajudar a termos visão global da existência. Sem Ele, não conseguimos vislumbrar o sentido pleno de nossa caminhada terrestre. O Filho de Deus vai à nossa frente indicando o caminho que leva à vida realmente realizadora. É preciso treinar nosso ser humano, muito afeito à fixação no provisório como objetivo de vida, para acertar com sua destinação de plena conquista da felicidade. Ele nos indica a missão ou a dinâmica de ir em frente, com algo altamente precioso para o comunicarmos ao semelhante.


Afinal, não é a busca de tudo o que agrada imediatamente nosso ego a base de sustentação de nossa realização. Ao contrário. Somente obteremos nosso bem-estar pleno quando damos tudo de nós para oferecermos o dom da libertação plena para todos, ou seja, o amor do próprio Deus. Ele faz as pessoas humanas perceberem sua fonte de realização no divino. O Evangelho é a mola mestra da realização humana, pois, contém o segredo do amor divino.


O Apóstolo Paulo lembra. "A Palavra de Deus não está algemada. Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos para que eles também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna" (2 Tm 2, 9-10). Quem leva a Palavra de Deus ao semelhante, torna-se pessoa de imensa alegria, pois, sua missão na vida tem sentido por basear-se no fundamento do dom da existência e sua finalidade, Deus. Sem Ele, nossa vida apresenta um objetivo pequeno, por mais que tenhamos todas as condições sensíveis de bem-estar. Quando percebemos o objetivo de vida além do terreno nossa vida se torna um campo aberto para nosso gigantesco trabalho de fecundidade do amor baseado em Deus.


Neste mês, especialmente dedicado às missões, a Igreja nos lembra o valor das pessoas que deixam tudo para ir a lugares mais carentes e ali prestar serviços de evangelização e promoção humana. Têm em vista ajudar a plantar sementes do amor de Deus nos corações necessitados do maior valor da existência. Todos somos responsáveis pelo Anúncio da Boa Nova de Jesus, que faz o ser humano superar seu fechamento em si mesmo para se abrir à solidariedade aos outros e ajudar a construir comunidade de justiça e paz.


Cooperamos com a missionariedade da Igreja com a oração e nossa ajuda material aos missionários nas diversas partes do mundo. A Amazônia também é verdadeira terra de missão. Precisamos olhá-la com carinho e ajudá-la intensamente.



Dom José Alberto Moura
Acerbispo de Montes Claros (MG)

4 Anos de Missão: Ave-Maria

Nesta sexta-feira 13 de maio, dia em que a Igreja Católica comemora as aparições de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, centenas de fieis se reuniram na Igreja Matriz de São Simão, onde saíram em procissão ate o Monte Tabor (Morro da Missão Ave-Maria).


Esse foi o segundo ano de procissão, onde também se comemoraram os quatro anos de existência da Missão Ave-Maria.



A Missão Ave-Maria é um trabalho sócio religioso, onde semanalmente varias famílias, crianças e idosos são acompanhado e assistido pelo trabalho dos missionários, que atualmente se localizam no Bairro Bela Vista em Simões – Piauí.



Após a procissão, os fieis participaram da Santa Missa, presidida pelo Pároco Local Pe. Manoel Antônio de Moura. O local, conhecido como Monte Tabor, é propício para retiros espirituais, e esta aos cuidados da Missão Ave-Maria.










sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O que é ser missionário?

Missionário é aquele que anuncia o Evangelho, fazendo suas as palavras e o testemunho de Jesus Cristo; mas é também aquele que, mesmo sem anúncio explícito,
encarna e vive cada uma dessas palavras, transformando-as em gestos concretos de solidariedade.
Missionário é aquele que está disposto a sair, lançar-se em terras estranhas e inóspitas, abrir veredas novas no deserto ou na selva; mas é também aquele que se dispõe a ficar, convertendo-se em presença viva e atuante em cada dor humana e em cada porão de sofrimento.
Missionário é aquele que, por seus feitos e dedicação, ganha imagens impressas e coloridas, fixadas em profusão nas paredes de templos e casas; mas é também aquele que, desconhecido e silencioso, oferece no altar do anonimato sua vida e suas forças.
Missionário é aquele cuja voz e ação entusiasma e congrega ao seu redor multidões;
mas é também aquele que, caso a caso, faz-se o companheiro mudo de cada solidão, o refúgio e bálsamo para o abandono e a exclusão.
Missionário é aquele cuja face divino-humana espelha os traços de um Deus pai e mãe,
cheio de amor, misericórdia e compaixão; mas é também aquele em cujo rosto humano-divino; imprimem-se as angústias e esperanças dos pobres.
Missionário é aquele que sobe à montanha, onde reza e se deixa interpelar pela presença do Pai; mas é também aquele que desce à rua e aos campos e, no contato vivo com mulheres e homens desfigurados, questiona e pugna por uma sociedade justa e solidária.


Pe. Alfredo Gonçalves - Pastoral Social da CNBB

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O segredo é perdoar


Caridade é dar-se inteiro a alguém que não merece


Para perdoar os outros devemos sempre nos lembrar de como Deus nos perdoou em Cristo. Devo perdoar quem me ofendeu não porque eu seja bom ou a pessoa seja boa. Devo perdoar não porque a pessoa mereça ser perdoada. Afinal de contas, se formos tentar saber se a pessoa tem ou não tem a culpa, se fez aquilo consciente ou inconscientemente, acabaremos por cair no murmúrio, até porque naquele momento nosso coração está ferido e machucado e, numa situação assim, ninguém consegue pensar corretamente. Logo, para evitar qualquer possibilidade de alimentar a mágoa, o segredo é perdoar imediatamente. E perdoar como o Senhor nos perdoa. Para isso é preciso revestir-se da caridade.
Caridade não é dar alguma coisa a alguém. Isso é filantropia. Caridade é dar-se inteiro a alguém que não merece! Foi isso que Jesus fez por mim e por você. Foi isso que Jesus fez pela humanidade inteira. Ele se ofertou, inteiramente, a todos, inclusive àqueles que estavam sendo usados para crucificá-lo: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem" (Lc 23,34).
Jesus, na cruz, nos ensina um dos grandes segredos para a cura do ressentimento: Declarar o perdão! Independentemente do fato de o outro merecer, eu preciso perdoar e declarar o perdão. Ao rezar ao Pai pedindo que perdoasse aqueles que o estavam matando, Cristo nos ensinou uma oração de cura do ressentimento para ser usada em todas as circunstâncias, inclusive naquelas em que não estamos conseguindo perdoar. Ao pedir ao Pai que perdoasse aquelas pessoas, Jesus nos ensinou a contar com o Pai nas situações mais difíceis de nossa vida. Mostrou-nos que o Pai está sempre pronto a nos ajudar a perdoar. Ensinou-nos também que, quando não conseguimos perdoar, devemos pedir ao Pai que perdoe em nosso lugar. Mas está implícita também, na oração do Senhor, a verdade de que toda ofensa dirigida a alguém sempre termina por acertar no coração do Pai. Tudo o que fazemos de mal a alguém atinge afinal também o coração do Pai, pois Ele nos ama e nos fez imagem e semelhança d'Ele.
Como imagem e semelhança que somos de Deus, precisamos dar um passo a mais e nos transformar em filhos do Pai do Céu. Só nos tornamos verdadeiramente filhos de Deus quando passamos a agir segundo Deus. Quando não perdoamos, nos assemelhamos ao encardido e aos poucos nos tornamos filhos dele, quando o reproduzimos em nossos sentimentos e depois em nossas atitudes. O filho deve ter a cara do pai. O filho traz consigo o sangue do pai. Se fizer um exame genético no filho, acaba-se por descobrir o pai. Por isso tanta gente faz hoje o exame de DNA.
Quando cheguei a Nagoya, uma das maiores cidades do Japão, vi um jovem com uma camiseta na qual estava estampada a sigla DNA – e sob ela algo que um dia eu disse num acampamento da Canção Nova: Deus, nosso Autor!. Fiquei tão feliz em ver uma frase que tive a inspiração de dizer estampada naquela camiseta. Imagine, então, a alegria de Deus quando vê estampado em nosso coração o amor que Ele semeou em nós. Somente pelo perdão vivido explicitamente é que nos tornamos, de fato, filhos e filhas de Deus. Enquanto não perdoamos, estamos vivendo como se fôssemos adotados pelo encardido. Aliás, muitas vezes, nos comportamos assim.
É preciso perdoar sempre e perdoar especialmente os que não merecem nosso perdão. Esse é o segredo que nos faz agir como filhos e filhas de Deus.
(Trecho extraído do livro "A Cura do Ressentimento" do saudoso padre Léo - SCJ).